Aluna da rede estadual de Sergipe passa em 1º lugar em Geografia na UFS

A história de Rafaela de Jesus Nascimento, ex-aluna do Colégio Estadual Olímpio Campos.

ITABAIANINHA/SE – A história de Rafaela de Jesus Nascimento, ex-aluna do Colégio Estadual Olímpio Campos, localizado em Itabaianinha (SE), seria mais uma entre os mais de 1.300 aprovados da rede pública estadual para o ensino superior, se a jovem não tivesse sido mãe aos 17 anos, em plena maratona de preparo para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Hoje aos 18 anos de idade, mãe de Bernardo Nascimento (cinco meses), filha de pais humildes, oriunda da escola pública estadual, Rafaela Nascimento postou nas redes sociais a foto amamentando com o rosto pintada com a sigla da UFS e o número 1 de primeiro lugar no curso que escolheu. “Ouvia que não iria conseguir, desestimulava, mas sempre achei que podia. Digo a todos que é possível, não desista dos sonhos, das metas, que não coloquem motivos e desculpas”, argumenta a jovem.

Ex-presidente do grêmio estudantil do Colégio Estadual Olímpio Campos, bolsista do PBICJr por conta de dois projetos que participou no colégio – A construção do Mapa Fácil de Itabaianinha como um instrumento de Localização, Orientação e Cidadania e “Nosso Solo, Nossa Vida” –, Rafaela Nascimento começou o texto postado nas redes sociais fazendo alusão aos sonhos de várias adolescentes. “Aos 15 anos quero um baile de debutante tão perfeito que as princesas vão sentir inveja! Aos 17 vou concluir o ensino médio, prestar vestibular e tentar cursar medicina já que é um dos sonhos da minha mãe e meu também e com 26 anos quero ter o meu primeiro filho”, postou.

Segundo ela, tudo isso não passou de expectativas, e quando não é de acordo com o que se imagina, na concepção da jovem, cria-se sentimentos de “fracos” e “incapazes de fazer qualquer outra coisa”.

Em seu texto, Rafaela mostrou a realidade que vivenciou aos 17 anos como mãe, mostrando que foi julgada por engravidar prematuramente. “Depois disso só conseguia me imaginar desistindo de tudo como num efeito dominó. Foi aí que descobri de onde a minha mãe tira tanta força para sustentar uma casa e três filhos sozinha durante quase 20 anos… os filhos! É deles que tiramos toda força e persistência que nem sabíamos que tínhamos e eu descobri a minha”, disse no texto.

Segundo a futura professora de Geografia, era “impossível” que a filha de faxineira conseguisse passar numa Universidade Federal em primeiro lugar em Geografia, sem cursinho, nem professores particulares, apenas contando com a ajuda de amigos, de vídeo aula, livros antigos e da base que teve no Colégio Estadual Olímpio Campos. Rafaela conta que veio uma nota que ultrapassava as expectativas: 820 na redação. “Ela não pode! Como? Ela não já é mãe? Sim, eu posso! Consegui! Passei!”, indagou a jovem.

Os projetos para o futuro: ser professora e fazer um mestrado. “Acredito que meu filho hoje é minha inspiração em continuar focada. Quero dar a ele o que não tive, seguir em frente”, disse, agradecendo aos professores do “Olímpio Campos”, ao incentivo do professor de Geografia, Ademir, e ao hoje diretor, Mailson. “Eles me incentivavam bastante, até quando fui presidente do Grêmio Escolar”, relembra.

Mailson José Santos, diretor do “Olímpio Campos, destacou Rafaela Nascimento como sinônimo de superação, já que passou a estudar no turno noturno por conta da criação do filho, e não deixou de estudar cada vez mais. “Não sei se choro, se aplaudo, se brinco, é muita emoção. A situação dela não foi fácil. Independente das dificuldades, ela criou uma motivação a mais e se superou. Essas situações me motivam também a cada vez mais ser professor”, afirmou.

FOTO: Assessoria de Comunicação da SEED

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