Baixa complexidade responde por 97% do atendimento e superlota Hospital de Itabaiana

A unidade tem mostrado uma gestão eficiente, com uma equipe proativa, dando resolutividade à grande demanda que chega diariamente.

ITABAIANA/SE – Na manhã desta terça-feira, 3, Íris Raquel procurou  socorro para a sua dor de estômago na urgência do Hospital Regional de Itabaiana, unidade gerenciada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES). A jovem de 24 anos engrossa as estatísticas que apontam uma legião de usuários de baixa complexidade buscando uma unidade hospitalar de média complexidade. Eles representam 97% dos 15.121 pacientes atendidos na Clínica Médica naquele regional nos três primeiros meses deste ano. No último final de semana, por exemplo, 970 usuários foram assistidos na unidade hospitalar, quando a média para o período era de 600 pacientes.

Ao lado de Raquel estava Giselma Brito dos Santos, com sintomas de dor de cabeça e no corpo, vômito e diarreia. Há seis dias, segundo ela, procurou o serviço da Atenção Básica do município quando foi orientada pelo médico a tomar dipirona durante cinco dias. “Mas os sintomas não passaram e preferi vir direto ao hospital com a esperança de resolver meu problema aqui”, disse a usuária.

É esta confiança na resolutividade do Hospital Regional de Itabaiana que atrai cada vez mais e mais usuários. Nesta terça-feira, 2, por exemplo, o Acolhimento do Pronto Socorro estava superlotado. Lá, tinham pessoas de várias regiões do Estado, que elevaram a média de atendimento. Mas este cenário não é uma exclusividade em Itabaiana. No Hospital Regional de Propriá, na região Ribeirinha do Estado, a média de atendimento no final de semana pulou de 400 para quase 890 pacientes, um crescimento de mais de 100%. A situação se repete nos demais Regionais da rede estadual de Saúde, pontuando a elevada taxa de atendimento à baixa complexidade, que gira entre 90% a 97%.

O que leva um paciente com dor de cabeça, de garganta, abdominal ou lombar, com sintomas de viroses, resfriados ou ainda trocar sonda vesical buscar atendimento direto nos hospitais de média complexidade quando a Atenção Básica ou mesmo as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dariam resolutividade a estes quadros clínicos?

O superintendente do Regional de Itabaiana, Waltenis Júnior, tem uma explicação para isso. “Existe uma confiabilidade das pessoas em procurar o hospital porque nossa resolutividade é grade. Estatísticas revelam que as pessoas, atualmente, preferem como primeira opção procurar a unidade hospitalar ao invés do posto de saúde porque o hospital faz o diagnóstico e medica. Se a pessoa vai ao posto de saúde ela entra em uma fila para agendar um atendimento, que acontece posteriormente”, considerou.

O clínico geral e médico intensivista do Regional de Itabaiana, Samuel Rodrigues da Silva, reforça e amplia o entendimento sobre este cenário. “Existem dois aspectos que explicam essa busca do paciente de baixa complexidade pelo atendimento hospitalar: primeiro, é que nós temos um hospital com grande poder de resolutividade o que desperta a confiança do paciente. O segundo, envolve duas situações, que são a existência de demanda reprimida no Programa Saúde Família da Atenção Básica e a certeza do paciente de que indo ao hospital seu problema ser resolvido mais rapidamente”, observou. ´

Samuel Rodrigues detalhou essa compreensão do paciente. “Ele sabe que se for a uma unidade de saúde, o médico irá lhe pedir exames para fechar o diagnóstico. Aí ele pensa em como ou quando irá conseguir fazer aquele raio x, por exemplo. Então vislumbra como solução o atendimento hospitalar, que lhe dará consulta, exames, diagnóstico e medicação imediatos”, revelou.

Superlotação

A superlotação dos hospitais regionais impacta fortemente na rotina hospitalar, cobrando das equipes de trabalho um esforço extraordinário. Como destacou a enfermeira do Regional de Itabaiana, Gabriela Barbosa da Silva, isso causa o esgotamento físico e mental das equipes. “A situação é tão crítica que há dias em que a gente não tem mais espaço físico para colocar os pacientes”, atestou a enfermeira, enfatizando que todos se sentem esgotados.

Ela destacou que estes usuários de baixa complexidade têm em comum o fato de não saberem esperar. “Trabalhamos com a classificação de risco, que indica quem deve ser atendido primeiramente. O paciente de emergência recebe atendimento imediato, enquanto o de urgência a espera máxima é de até 60 minutos. O de baixa complexidade podem aguardar até 240 minutos”, informou.

Onde estaria a solução para desafogar os Hospitais Regionais dos pacientes que fogem ao seu perfil de atendimento? Na avaliação de Waltenis Júnior, é preciso que os municípios e o Governo Federal façam mais do que têm feito. “Avalio que tem que haver uma mudança de postura nas políticas públicas. Se a população está procurando o hospital como primeira opção é porque existe algo de equivocado no planejamento e na execução da Atenção Básica. As unidades podem até estar funcionando, mas será que o que eles colocam como operacional é o que a população precisa?”, questionou o superintendente do Hospital de Itabaiana.

A superlotação dos hospitais regionais por pacientes de baixa complexidade está na agenda  das discussões da Diretoria de Atenção Integral à Saúde (DAIS/SES). De acordo com a coordenadora da Rede de Atenção Pré- hospitalar e Hospitalar da SES, Jurema Viana, o caminho é o fortalecimento da atenção primária. “Um ponto importante é o  financiamento das ações de atenção primária e prevenção,  que estão defasadas e os municípios precisam investir uma valor muito alto para conseguir implantar os programas”, contextualizou Jurema.

ASCOM SES

FOTO: Valter Sobrinho

 

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