CASO DESIGNER: Família de designer morto em abordagem da polícia pede que OAB acompanhe o caso

A Ordem está acompanhando o caso através da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

SERGIPE – No final da manhã sexta-feira (12) familiares do designer de interiores Clautênis José dos Santos, 37 anos, morto durante uma abordagem policial no Bairro Santos Dumont, na Zona Norte de Aracaju, estiveram na sede da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Sergipe para pedir o acompanhamento do caso.

“Esperamos um acompanhamento do caso. Meu irmão foi vítima e queremos clareza nas investigações”, disse Cleverton Santos, irmão do designer.

O presidente da OAB em Sergipe, Inácio Krauss, informou que a Ordem está acompanhando o caso através da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

Ainda de acordo com ele, a OAB expediu ofícios aos órgãos competentes para cobrar a celeridade nas investigações e o esclarecimento do que motivou que o inquérito fosse mantido em sigilo.

Acompanhamento do MPE

Familiares do designer procuraram o Ministério Público (MP) do Estado de Sergipe na manhã desta quinta-feira (11), para pedir o acompanhamento do inquérito, que segue em sigilo.

O promotor do MP, Eduardo Matos, conversou com os parentes de Clâutenis e disse que o caso será acompanhado. “Já foi encaminhado à SSP um ofício solicitando os documentos da perícia, depoimentos, nomes dos policiais, o tipo de armamento utilizado na abordagem e quantos tiros foram efetuados”, falou.

O que diz uma testemunha

amigo e testemunha da morte de Clautênis, contou detalhes do que aconteceu antes e depois dos disparos que foram realizados contra um veículo de aplicativo em que eles estavam durante a abordagem policial.

Em conversa com o G1, Leandro Santos, disse que horas antes da ocorrência ele e Clautênis estavam em uma pescaria com amigos, e de lá seguiram para o Santuário Nossa Senhora Aparecida no Conjunto Bugio para visitar o padre da paróquia.

“Por volta das 21h30 chamamos um veículo de aplicativo para deixar o local com destino ao município da Barra dos Coqueiros, onde moramos. Mas minutos depois de cruzar a ponte entre o Conjunto Bugio e Bairro Santos Dumont uma caminhonete encostou a esquerda do nosso carro e gritaram: ‘para, para, para’. Nós estávamos no banco de trás e pensamos que era um assalto. Nos agachamos, o motorista baixou o vidro e eles começaram a atirar. Foi muito tiro, muito tiro”, contou.

Ainda de acordo com a testemunha, ele abriu a porta do carro e tentou puxar o amigo que já estava baleado. “Estava todo ensanguentado, porque o tiro pegou no rosto. Quando percebi que era uma ação policial, eu disse, ‘pelo amor de Deus não atirem não, aqui é passageiro, de aplicativo’. E o motorista gritando, calma’. E eles atiraram. Um dos tiros também acertou a perna do motorista”, lembrou.

A investigação

Segundo o delegado da Polícia Civil, Jonathan Evangelista, é prematuro fazer qualquer avaliação sobre o caso que está sendo investigado. “O objetivo é que a apuração seja bastante rigorosa. As versões que estão correndo nos aplicativos não são as versões que estão no papel. Temos cinco oitivas que precisam ser confrontadas. E temos que tratar o caso com bastante seriedade. Precisamos aprofundar as investigações, para que a conclusão seja real e transmita o que realmente aconteceu”, disse.

Defesa dos policiais

“Eles estavam no levantamento de eventuais roubos de carros na região do Bugio e avistaram um veículo em atitude suspeita, com motorista e dois passageiros no banco de trás. Isso é errado? Não. Isso é normal? Também não. Nada mais justo, nada mais correto as suas funções do que proceder com a abordagem. Essa abordagem seguiu os padrões que lecionam a literatura policial”, disse o advogado Cícero Dantas.

Para o advogado, Alessandro Calazans, alguns pontos da investigação ainda precisam ser esclarecidos. “Existe a informação de pessoas que nem sequer estavam na cena do crime dando conta de uma situação que nenhuma das pessoas que estavam no local do fato relataram. Então, é preciso confrontar os diversos depoimentos dos policiais civis, do amigo do Clautênis, do motorista do aplicativo e das provas teóricas periciais, que essas, sem sombra de dúvida são as com mais respaldo. Então, no momento, existem alguns depoimentos e algumas provas periciais, que estão sendo analisadas. É isso que estamos aguardando, com calma e tranquilidade”.

FONTE: G1/SE

Deixe seu comentário...