Caso Laysa: Acusado de matar transexual é condenado a 12 anos de prisão

Para família, além da violência, Laysa foi vítima de negligência médica. À época, familiares apontaram que a jovem foi tratada com descaso.

ARACAJU/SE – O flanelinha,  Alex da Silva Cardoso, de 33 anos, foi condenado a 12 de prisão em regime fechado pelo assassinato da jovem Laysa Fortuna, de 26 anos. Transexual, Laysa trabalhava como profissional do sexo no cruzamento das ruas Itabaiana e Estância, no Centro de Aracaju (SE), quando foi esfaqueada gratuitamente pelo flanelinha, no dia 18 de outubro de 2018.

Laysa Fortuna, 25 anos, morta no Centro de Aracaju. Foto: arquivo pessoal

Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), mas acabou não resistindo aos ferimentos. Para família, além da violência, Laysa foi vítima de negligência médica. À época, familiares apontaram que a jovem foi tratada com descaso.

Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital de Urgências de Sergipe (Huse), mas acabou não resistindo aos ferimentos. Para família, além da violência, Laysa foi vítima de negligência médica. À época, familiares apontaram que a jovem foi tratada com descaso.

O julgamento do flanelinha foi realizado nessa terça-feira, 12, no fórum Gumersindo Bessa.

Em entrevista ao Jornal da Fan, na manhã desta quarta-feira, 13, a presidente da Associação das Travestis Unidas na Luta pela Cidadania, Jessika Taylor, apontou que a pena foi muito baixa e que a condenação não repara a perda da vida da jovem. “Não era o resultado que esperávamos. Ele deveria pegar a pena máxima. A qualquer momento ele vai estar na rua, a moradia dele é a rua, onde muitas travestis, trans e gays ainda precisam trabalhar”, lamentou.

Presidente da Associação das Travestis Unidas na Luta pela Cidadania, Jessika Taylor/ Foto: Fan F1

A irmã de Laysa, Sayonara Pereira, também defendeu uma pena maior. Segundo ela, lembrar da irmã alegre e cheia de vida, e relacionar isto a forma como ela foi morta, é uma tortura. “O flanelinha já agrediu outras trans e outras travestis. Não acredito que após ser preso, cumprir a pena e voltar às ruas, ele saia uma pessoa melhor, ou seja, o risco de novos casos como o da minha irmã, vai permanecer”, apontou.

A morte de Laysa gerou muita repercussão e mobilização em Sergipe. Após o crime, representantes de organizações de defesa da comunidade LGBTQI+ pediram à Secretaria de Estado da Segurança Pública de Sergipe (SSP-SE) que a Delegacia de Atendimento a Grupos Vulneráveis passasse a funcionar em regime de 24h, isto porque, na noite em que Laysa foi esfaqueada, o caso foi levado a uma delegacia plantonista. Colegas dela, acusaram o delegado de descaso e o flanelinha, hoje condenado, naquele dia, chegou a ser liberado, por ter sido considerado praticante de lesão corporal leve. Somente após a morte de Laysa, ele foi preso.

Hoje, a DAGV funciona em regime de 24h, com equipes especializadas no atendimento aos grupos vulneráveis.

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