Conheça a história de Heitor, diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo

Menino muito alegre e inteligente, Heitor está cursando o sétimo ano do ensino fundamental.

SERGIPE – Hoje, 2 de abril, comemora-se o Dia Mundial do Autismo e, em alusão a essa data tão especial, Cristina Rodrigues Dantas, que é servidora na Secretaria de Estado da Saúde (SES), secretária na Atenção Especializada, uma mulher forte e corajosa, conta como é ser mãe de Heitor, diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) aos 5 anos de idade, com grau moderado que, atualmente, já está com 14 anos.

Menino muito alegre e inteligente, Heitor está cursando o sétimo ano do ensino fundamental e, como contou sua mãe, tira boas notas por seus próprios méritos. “Ele é muito estudioso, inclusive em inglês não precisou fazer as duas últimas avaliações porque ele já estava passado. Meu filho é uma benção de Deus. Eu digo todos os dias, eu sou especial e não ele”, contou orgulhosa.

Como é muito comum, o primeiro diagnóstico para Heitor foi Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), porém, Cristina, sempre notou que havia algo mais. Ela revela como foi ir em busca de um diagnóstico concreto sobre o seu filho.

“Ele andou com 1 ano e 9 meses, começou a falar aos 2 anos e, como eu era mãe de primeira viagem, ouvia os conselhos da avó que dizia que ‘era tudo no tempo dele, tenha paciência’. Eu fui indo por ela, mas sempre vendo um diferencial, até que aos 3 anos, após cinco dias de terapia com a psicóloga, ela me disse que não poderia dar um relatório, mas que ele era autista e aconselhou que eu procurasse um especialista. Então uma grande amiga indicou a neurologista infantil Dra. Marbene, da Clínica CREIA, que confirmou o diagnóstico. Ai pensei ‘e agora?’ Mas vesti a camisa e fui buscar na internet, nos livros e com as pessoas, a entender o autismo”, disse Cristina.

Preconceito

Apesar de toda a informação, ainda existe muito preconceito e não aceitação, inclusive, dos próprios familiares. “Há pessoas próximas a mim que não têm aceitação. Eu estou tentando resgatar uma família que tem uma filha que não tem tratamento nenhum e a menina já está com 5 anos, não fala, não estuda, e eles não aceitam. Ela já foi diagnosticada com autismo e eles não aceitam”, revelou.

Quanto ao preconceito, Cristina comentou que a luta é diária. “Eu luto até hoje em alguns locais. A penúltima escola dele queria me cobrar um valor absurdo para pagar um cuidador. Eu sei que hoje tem uma lei que proíbe isso, mas na ocasião eu não sabia. Quando chegou no absurdo de me cobrarem 900 reais sendo que o valor normal era 300, eu tirei ele da escola e fui buscar outras”, desabafou.

Mas a felicidade sempre é maior. “Hoje ele é um adolescente como qualquer outro e sempre recebo o retorno da escola dizendo: ‘dona Cristina, seu filho é muito inteligente’, e eu respondo que sei, mas não falei porque me teriam como uma mãe coruja”, comentou orgulhosa a mãe de Heitor.

“Meu apelo é que a sociedade pare um pouco para prestar atenção nessas crianças. No dia em que essas pessoas pararem para enxergar o mundo deles, como esse mundo vai ser maravilhoso. Eles são anjos que Deus enviou à Terra para nos dar amor e trazer paz. Nesse meu andar de 14 anos me deparei com um pai apenas, acompanhando o filho, o restante era tudo mãe. Mãe é mãe! A maioria das mães que conheci, por infelicidade, os pais se separaram quando descobriram que o filho tinha espectro autista, ou down, mas não é nada que atrapalhe. Eu sou separada há 10 anos e sou mãe e pai dele, com muito orgulho. Como é gostoso você acordar todos os dias e ter alguém ali com todo o afeto, sem interesse nenhum, dizendo ‘mamãe, eu te amo’ “, concluiu Cristina.

ASCOM SES

FOTO: Flávia Pacheco

 

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