Em Sergipe, suicídio do empresário Sadi Gitz alerta para importância de falar sobre este tema

A forma como ele ocorre pode ser modulada pela personalidade e pelo momento de vida da pessoa, que foi o que ocorreu neste caso.

SERGIPE – O suicídio do empresário Sadi Gitz, que na quinta-feira, 4, deu um tiro na cabeça durante o evento de abertura de um seminário sobre o setor de gás, em Aracaju/SE, deixou os brasileiros perplexos. Esse, porém, é o desfecho trágico – e que pode ser evitado – de muitos casos de transtorno mental, que acabam ocultados no pacto de silêncio que ainda existe na sociedade quando o tema é o suicídio.

A psiquiatra da Holiste Psiquiatria, Fabiana Nery, alerta para o risco de se avaliar um suicídio como algo ideológico ou como uma escolha. “O suicídio não é escolha, não é um comportamento, ele é um sintoma de agravamento de uma doença instalada. A forma como ele ocorre pode ser modulada pela personalidade e pelo momento de vida da pessoa, que foi o que ocorreu neste caso. Mas o ato suicida não ocorre se não há uma doença que se agrava e leva a isso”, enfatiza a médica.

O número de mortes por suicídio gira em torno de 1 milhão ao ano, o que representa cerca de 1% das mortes em todo o mundo. Somadas todos os homicídios, mortes por acidentes de trânsito e mortes em todos os conflitos de guerra do planeta, esse total é menor do que as mortes por suicídio por ano no mundo. Essa alarmante realidade aponta para o fato de que é necessária uma abordagem mais séria, constante e ampla sobre o assunto.

Fabiana destaca que 80% das pessoas que se matam costumam dar algum aviso, normalmente despercebido pelas pessoas próximas por não se tratar de algo direto, mas sim de discursos como “não tenho mais vontade de fazer nada”, “se eu tivesse uma doença e morresse seria melhor”, entre outros. Além disso, comportamentos como a desistência de planos e sonhos, isolamento e falta de esperança são sinais de alerta.

“Há um estudo que mostra que 50% das pessoas que se matam passaram por um médico no mês anterior ao suicídio. Isso mostra que mesmo nós, profissionais de saúde, precisamos estar atentos a esses diálogos e comportamentos. O comportamento suicida não começa no dia em que o ato ocorre, ele começa muito antes e vai crescendo gradualmente. Ele começa com uma ideia de morte e vai evoluindo para desejo, motivo, intenção, plano, tentativa, até o suicídio consumado”, acentua Fabiana Nery.

Transtornos psiquiátricos e suicídio

Dados apontam que 95% dos casos de suicídio estão associados a um transtorno psiquiátrico. Além disso, a tentativa de suicídio é mais letal no início da doença. Por isso, é importante vencer os tabus que envolvem os transtornos mentais.

“A ideação suicida não é uma escolha, não é um projeto, é um sintoma de uma doença que pode ser tratada e, por consequência, o suicídio será prevenido. Se você tratar o que está desencadeando o pensamento suicida, a ideia de se matar vai deixar de estar ali. O suicídio é fruto de uma dor psíquica insuportável. O que fazemos, no tratamento, é mostrar ao paciente que é possível findar aquele sofrimento sem a morte”, afirma. “O suicídio pode ser prevenido e evitado, se a patologia por trás dessa ideação suicida for identificada e tratada, por isso precisamos falar mais sobre esse assunto”, finaliza Fabiana Nery.

FONTE: Atcom

 

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