Maria Feliciana, a mulher mais alta de Sergipe

Maria Feliciana passou a ser uma das atrações dos shows de Josa, o Vaqueiro do Sertão.

ARACAJU/SE – Maria Feliciana dos Santos, nasceu no dia 27 de maio de 1946, em Amparo do São Francisco (SE). Filha única de Antônio Quintino dos Santos e Maria Rodrigues dos Santos teve uma infância igual a tantas outras crianças pobres nascidas às margens do Velho Chico.

Entretanto, ao atingir a adolescência, começou a chamar a atenção dos moradores do lugar pela avantajada altura que lhe diferenciava de todas as mocinhas da sua idade. Foi por esse motivo que, aos 16 anos, foi levada para Aracaju por um amigo da família que lhe apresentou a “Josa, O Vaqueiro do Sertão”, cantor e apresentador do programa Festa Na Casa Grande, pela Rádio Difusora de Sergipe, atual Rádio Aperipê. Josa fazia muitos shows em cinemas e circos pelas cidades do interior de Sergipe, Bahia e Alagoas e Maria Feliciana, com uma altura incomum (2,25m) certamente seria uma atração a mais, nos shows do sanfoneiro.

Dito e feito. Maria Feliciana passou a residir em Aracaju, sob os cuidados de Josa e da esposa D. Valdice, que a tratavam como uma pessoa da família. Durante 10 anos, a partir de 1962, Maria Feliciana passou a ser uma das atrações dos shows de Josa, o Vaqueiro do Sertão. Juntos, viajaram pelo sertão nordestino e a sua fama de mulher mais alta do mundo chegou ao sul do país.

Levados por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, Josa e Maria Feliciana foram para o Rio de Janeiro onde ficaram por dois meses e participaram de vários programas de rádio e televisão. No Programa do Chacrinha recebeu o título de Mulher Mais Alta do Mundo e recebeu a faixa “Rainha das Alturas”. Isso fez com que Luiz Gonzaga lhe desse uma coroa para fazer jus à faixa recebida.

No Rio de Janeiro, Maria Feliciana foi recebida pelo governador Negrão de Lima, no Palácio das Laranjeiras, que lhe presenteou com o pagamento de hospedagem, por um mês, em um hotel da cidade maravilhosa.

De volta a Aracaju, continuou a morar na residência de Josa e com ele voltou a fazer apresentações pelos estados de Sergipe, Bahia, Alagoas, Piauí, Goiás e Minas Gerais. A sua presença nos shows do sanfoneiro era um atrativo a mais, pois a curiosidade do povo em conhece-la, aumentava a arrecadação da bilheteria.

Casou-se em 1973, então com 27 aos, com Assuíres José dos Santos com quem teve três filhos: Charles, Shisley e Cleverton além dos cinco netos e um bisneto. Ao casar, deixou de viajar com Josa, O Vaqueiro do Sertão, pois como teria que ir acompanhado do marido e Josa levava zabumbeiro e triangueiro, não havia espaço para todos, num só veículo.

Passou, então, a viajar com a dupla Ozano e Ozanito. Novamente 10 anos de convivência profissional. A dupla, afinadíssima, tinha programa na Rádio Atalaia AM e era sucesso de público por onde passava. Maria Feliciana ajudou, ainda mais, no sucesso dos violeiros. Ozanito lembra que todos viajavam num fusca e, mesmo assim, Maria Feliciana conseguia acomodar as suas longas pernas.

Por fim, Maria Feliciana passou a viajar com a dupla Adalto e Adailton e o sanfoneiro Lourinho do Acordeão. Novamente 10 anos de estrada até quando decidiu não mais viajar, após completar 47 anos.

Maria Feliciana, recebeu do povo a melhor das homenagens, pois, espontaneamente, a população passou a denominar com o seu nome, o Edifício Estado de Sergipe, o maior até agora aqui construído.

Pobre e com dificuldades financeiras, Maria Feliciana está há 15 anos numa cadeira de rodas e quase não sei de casa devido à dificuldade de locomoção. Recebe uma pensão de R$ 1.200,00 dada pelo governador Albano Franco, cujo recurso serve para comprar medicamentos e pagar pequenas despesas da residência.

Maria Feliciana mora na casa número 282, da rua São Jorge, no Bairro Santos Dumont, em Aracaju. O imóvel é próprio e foi adquirido e doado pelo BANESE.

Por RadarSergipe

 

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