PF e FAB investigam queda de avião que matou Gabriel Diniz, piloto e copiloto

Os trabalhos terminaram ao final da tarde, quando o motor da aeronave foi recolhido.

Policiais federais fazem perícia nas peças do avião já encontradas

ESTÂNCIA/SE – Equipes da Polícia Federal (PF) e da Força Aérea Brasileira (FAB) passaram todo o dia de ontem em trabalhos de campo na região do povoado Porto do Mato, em Estância (Sul), onde um avião monomotor caiu na tarde de anteontem. O acidente provocou a morte do cantor Gabriel Diniz, 28 anos, e dos pilotos alagoanos Gabriel Abraão Farias, 27, e Linaldo Xavier Rodrigues, 37, que estavam na aeronave. Com a ajuda de bombeiros e policiais que isolavam a área, situada dentro de um manguezal, oficiais do Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à FAB, recolheram documentos e destroços do monomotor pilotado pelas vítimas. Eles também tiraram fotos, gravaram imagens e colheram depoimentos de moradores que viram a queda.

O recolhimento das peças agilizou-se assim que a maré do mangue foi abaixando. As primeiras partes recolhidas foram os assentos e partes da fuselagem, sendo que algumas delas estavam parcialmente enterradas no mangue, por força da queda. Um pedaço de uma das asas do monomotor foi achado a aproximadamente 400 metros de distância do restante do local da queda e foi recolhido ontem mesmo pelos agentes. Documentos da aeronave e das vítimas, entre outros pertences, já tinham sido igualmente recolhidos pela polícia instantes depois da queda e foram repassados aos investigadores da PF. Os trabalhos terminaram ao final da tarde, quando o motor da aeronave foi recolhido.

Depoimentos preliminares apontam que o monomotor, pertencente ao Aeroclube de Alagoas, teria perdido o controle após um suposto desprendimento de uma das asas. Também não é descartada a hipótese de problemas mecânicos, nem a de um possível erro de procedimento. A análise das peças e do motor será cruzada com outras informações, como as do plano de voo e as condições de tempo e visibilidade na região do litoral sergipano no momento da queda. A FAB informa que o objetivo da investigação do Cenipa, sem tempo determinado, é apontar fatores que podem ser corrigidos e aperfeiçoados para prevenir a ocorrência de outros acidentes aéreos.

Já a Polícia Federal afirma que entrou no caso para apurar indícios de um possível crime federal, já que houve descumprimento de uma norma da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A aeronave estava registrada na categoria de instrução e não tinha permissão para fazer transporte de passageiros. No entanto, o pai do piloto Abraão Farias, Erivaldo Farias, disse a jornalistas alagoanos que o filho teria sido contratado por Gabriel Diniz para levá-lo entre Salvador e Maceió, ao preço de R$ 4 mil, contrariando a informação inicial do Aeroclube de Alagoas de que o cantor estava de carona no voo. A Anac interditou cautelarmente as atividades do Aeroclube e instaurou um procedimento administrativo que pode resultar no indiciamento criminal de possíveis responsáveis.

Funerais – Os corpos das três vítimas foram liberados ao longo da noite de segunda-feira pelo Instituto Médico-Legal (IML), em Aracaju, e seguiram durante a madrugada para suas cidades de origem. O corpo de Gabriel Diniz foi velado no Ginásio Ronaldo Cunha Lima, em João Pessoa (PB), em uma homenagem que reuniu milhares de pessoas, entre fãs, parentes e muitos amigos próximos, como os cantores Wesley Safadão e Xandy Avião. Após a celebração de uma missa, o caixão seguiu para o enterro em um cemitério da capital paraibana. O corpo do piloto Abraão Farias também foi velado e sepultado ontem, no bairro Benedito Bentes, em Maceió (AL). Já o de Linaldo Xavier, 37, foi enterrado em sua cidade natal, Água Branca, próxima à divisa com Sergipe.

Gabriel Damásio

 

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