Polícia Militar participa de Ato pelo Dia Estadual de Combate ao Feminicídio

O evento foi realizado pela Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese).

SERGIPE – Na manhã do dia 29 de julho, Dia Estadual do Combate ao Feminicídio, a Polícia Militar do Estado de Sergipe participou de um ato contra os crimes de gênero, realizado pela Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) na Praça fausto Cardoso, em Aracaju. Participaram também do evento representantes da sociedade civil e autoridades de áreas afins.

Durante o ato público, 10 cruzes foram colocadas com os nomes de cada uma das vítimas de Feminicídio este ano. Esse crime representa a última etapa de um ato continuo de violência, que leva à morte, motivada por ódio, desprezo ou sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres, típicos de sociedades marcadas pela associação de papéis discriminatórios ao feminino.

A deputada Goretti Reis, autora da Lei de nº 8.375 que institui o dia 29 de julho como o Dia Estadual do Combate ao Feminicídio, ressaltou a importância de atitudes conjuntas para expansão das medidas protetivas a favor das mulheres. “Se a mulher sabe que o poder público está ali para amparar e protege-la dos agressores, ela com certeza terá mais coragem para denunciar”, afirma.

De acordo com dados registrados pela Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (CEACRIM), em Sergipe, já foram registrados 10 casos de homicídio contra a mulher. Os crimes aconteceram nos municípios de Aracaju, Nossa Senhora de Socorro, Estância, Umbaúba, Barra dos Coqueiros, São Cristóvão, Itabaiana e Cristinápolis.

A deputada Kitty Lima, vice-presidente da Frente Parlamentar em defesa das Mulheres, afirma que há uma preocupação em agir para que esses índices não cresçam. “Precisamos unir forças para mudar esse cenário”, afirmou.

Também esteve presente no encontro, a advogada e vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da OAB, Valdilene Oliveira. “A gente precisa de respeito e desconstrução nessa educação misógina e sexista em que o menino pode tudo e a menina não pode nada. Se os homens fazem parte do problema, obrigatoriamente, devem fazer parte da solução”, disse.

Reeducação dos homens

De acordo com a psicóloga da coordenadoria da mulher do Tribunal de Justiça, Sabrina Duarte Cardoso, há vários projetos na coordenadoria do tribunal que objetivam diminuir a violência de gênero, e destacou o projeto que trabalha diretamente com os homens (agressores) por meio da reeducação.

“Há o projeto de grupos reflexivos, que é voltado para os homens. Esse grupo combate o machismo da violência contra a mulher. São homens que já cometeram agressões, que encaminhados para a coordenadoria através do juizado ou pela Vara de Penas Alternativas (VPA), fazemos essa ação junto com a faculdade (FASE)”, explicou.

A psicóloga ressalta que na ausência de um trabalho posterior à agressão a reincidência é crescente, chegando entre 50 a 60% em média.  Explicou ainda que com a participação de eles no grupo reflexivo, os agressores aprendem nova forma de comportamento.

Após participação no grupo o número de agressão reduziu significadamente. “Essa reincidência após participação dos homens  no grupo essa reincidência chega a 2%. Hoje  agente tem mais de 200 homens participando do grupo reflexivo, e apenas 2% de reincidência, um número bem reflexivo”, comemora  o resultado a psicóloga.

Ronda Maria da Penha

Desde março deste ano a Ronda Maria da Penha atua contra os casos de Feminicídio no município de Estância. De acordo com a comandante capitã Fabíola Góes, em quase cinco meses de atuação o serviço já visitou mais de 300 mulheres e, atualmente, presta assistência a 80 mulheres da região.

“A gente percebe que as mulheres estão se tornando mais seguras e percebemos ainda que há uma diminuição desse tipo de crime em Estância, justamente pelo aumento das denúncias”, diz. Segundo a comandante, a Ronda possibilitou que cinco prisões fossem efetuadas por descumprimento de medida protetiva na região.

Segundo o tenente-coronel Fábio Machado, assessor de comunicação da PM, representando o comandante-geral neste evento, a Polícia Militar de Sergipe tem trabalhado para que as ações da Ronda sejam estendidas para outros municípios o mais breve possível, como uma forma de fazer com que mulheres de outras regiões também possam se sentir mais seguras, concluiu o assessor.

FONTE: PMSE

 

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