Prefeito Gilson Andrade não descarta uma aliança com Belivaldo

Não vejo o sectarismo, o radicalismo, a oposição pela oposição”, diz o prefeito.

ESTÂNCIA/SE – “Sobre uma possível aliança, prefiro dizer o seguinte: se uma posição política minha for em benefício de Estância, de nossa gente, aí tudo se torna possível. Não vejo o sectarismo, o radicalismo, a oposição pela oposição, bem como a subserviência só por estar aliado, como bons conselheiros nos momentos de dificuldade. O diálogo é uma de minhas marcas. E isso me permite afirmar que não se trata de que lado político nós estamos. Se trata de, enquanto pessoas públicas, estarmos ao lado do povo, do que é melhor para a coletividade”, respondeu o prefeito de Estância,Gilson Andrade (Sem Partido), ao ser provocado pelo Universo sobre a possibilidade de fazer uma aliança com o governador Belivaldo Chagas (PSB). Licenciado da prefeitura por 15 dias, Gilson Andrade tem mais tranquilidade para discutir a política e o faz sem preconceito. “Sou um homem do diálogo, da conversa franca. E isso faz com que muita gente, muitos dirigentes partidários, nos procurem. Assim, já conversei com muita gente”, diz o prefeito, que faz ainda uma avaliação de como encontrou a prefeitura e do que já conseguiu realizar. A entrevista:

O senhor ficará afastado da Prefeitura de Estância por cerca de 15 dias. Isso lhe possibilitará cumprir uma agenda política com mais tranquilidade?

Inicialmente, cabe salientar que cheguei há dois anos e seis meses ininterruptos de trabalho à frente da Prefeitura de Estância. Para se ter uma ideia, no início deste ano, meu médico me pediu uns exames de rotina. Eu fiz. Mas ainda não os levei e vou acabar levando uma bronca danada dele (risos). Então, esse breve período é para descansar um pouco e cuidar de mim, porque não sou de ferro. Mas essas rápidas férias são apenas da prefeitura, pois sigo com meus plantões, atendendo em minha clínica e também no bairro Cidade Nova, num trabalho voluntário que realizo há mais de dez anos. Agora, é claro que a licença da prefeitura me permite conversar sobre política de forma mais tranquila, mais objetiva, pois entre os desafios da administração e os desafios da política, lógico que minha dedicação maior é para os da administração, pois foi para administrar que fui eleito, não para fazer política. Assim, como estou licenciado da administração, farei uma agenda política, sem dúvidas.

Com quem o senhor vem conversando sobre as próximas eleições, e o que tem discutido?

Todos sabem que estou sem partido. E todos sabem que sou um homem do diálogo, da conversa franca. E isso faz com que muita gente, muitos dirigentes partidários, nos procurem. A conversa, de modo geral, é basicamente a mesma: convites para ingressar neste ou naquele partido, já que estou prefeito, tenho o direito a reeleição e, se Deus quiser, encararei esse novo desafio em 2020. Assim, já conversei com muita gente. Nessa semana que passou, tive conversas muito boas com o deputado federal Fábio Reis, do MDB, com o governador Belivaldo Chagas, do PSD, com o ex-deputado federal José Carlos Machado, do DEM. Nesta semana que começa já tenho algumas pré-agendas de conversas. Vou me encontrar com André Moura, do PSC, Eduardo Amorim, do PSDB, o deputado federal Valdevan Noventa, também do PSC, com o deputado federal Laércio Oliveira, do PP. Mais à frente, em agosto, terei agenda com outras figuras importantes da nossa política, como o deputado Fábio Mitidieri, do PSD, em Brasília, onde manterei diversos contatos. Enfim, eu acredito na máxima que diz que é conversando que a gente se entende, aplico isso em nossa gestão, cujo diálogo com os servidores é uma de nossas marcas registradas. Não seria diferente na atividade política.

Já há uma base consolidada para o projeto da sua pré-candidatura à reeleição?

Já sim. Temos amigos, lideranças partidárias, vereadores, pessoas da sociedade civil organizada, lideranças populares, empresariais, comerciais, sindicais, enfim, há um amplo leque de figuras representativas da sociedade, num espectro amplo, que contempla a todos os segmentos, sem sectarismo. Essas mesmas pessoas nos ajudam a administrar e, com o sucesso da nossa gestão, graças a Deus, já manifestam apoio aos nossos projetos futuros. Mas política é somação, é unir o máximo de pessoas em torno de uma causa. Por isso que sigo conversando, dialogando e somando. E tudo isso com um foco muito centrado: fazer mais e melhor para Estância e nosso povo.

Como é a sua relação, hoje, com o governador Belivaldo Chagas? E com o político Belivaldo? Há a possibilidade de uma aliança?

Belivaldo é um homem sério, trabalhador e empenhado em resolver os problemas do Estado, que não são poucos. E nós reconhecemos isso. A relação administrativa é de parceria, com as devidas cobranças sendo feitas, mas também estendendo a mão quando é possível. Não poderia ser diferente, afinal a crise é uma realidade não só para o Brasil, mas também para Sergipe, para Estância e para todos os municípios. Não me vejo na posição de crucificar ninguém, pois, como gestor, sei das dificuldades que todos estão passando nesse momento. Quanto ao político Belivaldo, é preciso reconhecer sua capacidade de articulação e de aglutinação, isso é um fato. Agora, sobre uma possível aliança, prefiro dizer o seguinte: se uma posição política minha for em benefício de Estância, de nossa gente, aí tudo se torna possível. Não vejo o sectarismo, o radicalismo, a oposição pela oposição, bem como a subserviência só por estar aliado, como bons conselheiros nos momentos de dificuldade. O diálogo é uma de minhas marcas. E isso me permite afirmar que não se trata de que lado político nós estamos. Se trata de, enquanto pessoas públicas, estarmos ao lado do povo, do que é melhor para a coletividade.

Como o senhor encontrou a Prefeitura de Estância e o que já conseguiu fazer pelo município?

Uma expressão facilita a compreensão do que nós encontramos em janeiro de 2017: terra arrasada. Só para se ter uma ideia, no meu primeiro ano de governo em Estância, tive que pagar ou negociar dívidas de 2013, que foi o primeiro ano da gestão anterior. Mas não fiquei reclamando, chorando, ou como dizem agora, com “mimimi”. Arregacei as mangas e fui trabalhar. Obras paradas, algumas nem iniciadas, por falta de compromisso, estão sendo finalizadas em nossa gestão. A questão salarial, então, era uma lástima, os servidores de Estância, até 2017, não sabiam se receberiam o seu salário nem dentro do mês e nem depois. Resolvemos isso pagando, regiamente, todos os salários, completando 31 deles neste mês de julho, dentro do mês. Fornecedores e prestadores de serviços fizeram fila quando assumimos. Negociamos, pagando na hora aqueles que aceitaram receber com 30% de desconto, e seguimos pagando aqueles que optaram por receber na íntegra, os quais parcelamos em até 36 meses, para não comprometer as contas da prefeitura. E, agora, depois de dois anos e meio, posso dizer uma coisa que me dá muita satisfação: Estância é um município que voltou a ter crédito, a ter credibilidade, voltou a ser uma cidade em que as pessoas confiam, acreditam mesmo. Não foi e nem é fácil, uma vez que ainda temos que honrar com débitos da gestão anterior. Mas Estância, na nossa gestão, voltou a ter uma administração respeitada, graças a Deus.

Como o município vem enfrentando a crise financeira que toma conta do Brasil? O Governo Federal está ajudando como deve?

Nossos opositores, com o objetivo de nos desmerecer, falam que Estância sempre teve uma grande arrecadação. Tudo bem, pois temos orgulho de sermos uma das cidades mais importantes e fortes de Sergipe. Mas se nossa arrecadação sempre foi positiva, porque deixaram tantas dívidas? Nesse ponto a questão é muito prática, mas depende de muito compromisso por parte do prefeito. E isso é até simples: trabalho todos os dias, estou na prefeitura todos os dias, e faço contas todos os dias. Responsabilidade fiscal é coisa muito séria. E nós só temos conseguido os avanços que todos podem ver porque trabalhamos muito e com total seriedade. Quanto ao Governo Federal, por ser um mandato novo, de um novo presidente, nós entendemos que faltam alguns ajustes, algumas ações que contemplem os municípios como eles, de fato, merecem. Vamos ver o que acontece neste segundo semestre.

Qual a sua avaliação sobre a política de Sergipe, projetando as próximas eleições?

Olha, sou muito pé no chão. Em relação a Sergipe, como um todo, torço para que o melhor aconteça, que a população escolha os melhores gestores. Mas me concentro, nesse momento, em Estância e nas nossas prioridades. E isso é o que me permitirá avaliar politicamente as próximas eleições. Nosso empenho, dedicação e trabalho focam numa Estância cada vez melhor. E é isso que eu quero mostrar nas próximas eleições.

Por Joedson Telles 

 

Deixe seu comentário...