Tainá Müller relembra começo como atriz: “Todo roteiro que eu recebia tinha que tirar a roupa”

Aí veio o cinema, as cenas de nudez, e você logo se tornou a “nova musa do cinema nacional”. Como foi isso? Aquele filme [Cão Sem Dono], especialmente, era bom, de um diretor que admiro muito, me rendeu o prêmio de atriz… Foi realmente o meu início e sou muito grata por ter feito. Mas aí, como eu tinha tido esse histórico como modelo e teve essa cena de nudez, em todo roteiro que eu recebia tinha que tirar a roupa. Eu me incomodava, mas não entendia o porquê. Pensava que não estava me entregando totalmente à profissão. Hoje entendo que é porque uma coisa é você tirar a roupa e ser protagonista, uma personagem que pensa. Outra é para ser a namorada do homem, ele, sim, o personagem complexo, conturbado. Como personagem eu também tinha o direito de ter as minhas questões. Isso não acontecia e me levou a comprar os direitos da biografia de Hilda Hilst.

Para você, como para Hilda, a noção de sexualidade também foi construída de maneira livre? Sempre me senti livre, mas acho que eu não era tão livre quanto eu achava que era, essa que é a realidade. Sempre fui de namoros muito longos, casei pela primeira vez muito nova. De uma certa forma tinha ali, muito internamente, a ideia de que é preciso casar e ter um relacionamento estável.

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