Um dos fundadores do CDJBC será homenageado pela Assembleia Legislativa

A Medalha Dom José Vicente Távora de Direitos Humanos foi instituída por meio do Projeto de Resolução 10/2010.

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SERGIPE – Pela sua dedicação à luta pela terra e à educação popular, o educador e fundador do Centro Dom José Brandão de Castro, Carlos Alberto Santos, receberá da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Sergipe (ALESE) a Medalha de Direitos Humanos “Dom José Vicente Távora”. A solenidade de outorga acontece na próxima segunda-feira, 09, às 17h, no plenário da Casa Legislativa. A indicação do militante foi do deputado estadual Iran Barbosa (PT).

A Medalha Dom José Vicente Távora de Direitos Humanos foi instituída por meio do Projeto de Resolução 10/2010, de autoria da deputada Ana Lúcia, com o objetivo de reconhecer o trabalho e o esforço de militantes e personalidades na promoção e defesa dos direitos humanos em nosso Estado.

O homenageado, conhecido pelos seus pares da militância social como simplesmente “Sr Carlos” tem vasta trajetória de luta e resistência no campo dos direitos humanos, em especial na luta pela terra e no campo da educação popular.

Carlos atuou como Educador Popular e como supervisor de Educação no histórico Movimento de Educação de Base (MEB), pertencente a Diocese de Propriá, durante a ditadura militar e até meados da década de 90. Lá, ele assessorou comunidades ribeirinhas, quilombolas, o povo xokó, assentamentos da reforma agrária e comunidades agrícolas por meio de processos de Mobilização Social e Formação Política pautada na Teologia da Libertação, introduzida a partir do Concílio Vaticano II e da Conferência de Medellín. Enquanto Agente do MEB, contribuiu com o processo de organização sindical de trabalhadores e trabalhadoras rurais, e de movimentos populares do Baixo São Francisco e do Alto e Médio Sertão Sergipano.

No território do Alto Sertão, atuou na Equipe Pastoral da Terra (EPT) junto a Frei Enoque Salvador de Melo. Após a mudança de atuação do MEB com a saída de Dom José Brandão de Castro da Diocese de Propriá, optou em trabalhar como Taxista ao invés de ir de encontro a seus princípios em defesa dos Direitos Humanos e da vida de homens e mulheres do campo.

Contribuiu com a fundação do Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC), entidade que foi criada por comunidades antes assessorada pela Diocese, professores/as da UFS, educadores/as populares, ex assessores/as da CPT, sindicalistas e outras lideranças e organizações ligadas a luta em defesa do homem e da mulher do campo. Após a fundação do CDJBC, Carlos Alberto Santos integrou o Conselho da instituição por 02 vezes, primeiro como Tesoureiro (1995 a 1998) e depois na função de Coordenador (2001 a 2004). E em 2006, passou a integrar a Equipe Técnica devido a uma intensa demanda junto as comunidades rurais.

Continua até os dias atuais, enquanto Educador Popular, atuando com ações que visam o fortalecimento da Sociedade Civil e a defesa dos Direitos Humanos. Durante sua trajetória de militância contribuiu com o fortalecimento da articulação do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, com a criação da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), com a Rede de Educação do Semiárido Brasileiro em Sergipe (RESAB Sergipe), com o Fórum do Campesinato Sergipano, entre tantos outros instrumentos de transformação social.

Na luta em defesa da Democracia e dos Direitos Humanos no campo e na cidade atua junto ao Comitê de Educação do/no Campo e no Movimento Nacional dos Direitos Humanos em Sergipe (MNDH Sergipe).

Dom Távora: Padre dos Operários

A medalha deva o nome de um grande lutador do povo, defensor dos direitos humanos e de um estado verdadeiramente democrático, com liberdade e justiça social: Dom José Vicente Távora, que muito inspira a luta do CDJBC. Homem de coragem, Dom Távora vivenciou plenamente os preceitos de sua religião, pregando nas palavras e nas ações a humanização da sociedade e o verdadeiro senso de fraternidade.

Pernambucano do município de Orobó, nascido em 1910, Dom Távora contribuiu muito com a história do povo brasileiro, sempre dedicando-se a transformar a vida do povo pobre. Dom Távora Chegou em Sergipe no ano de 1958 e foi Arcebispo da Arquidiocese de Aracaju no período que vai de 1960 a 1970. Incansável, Dom Távora foi um verdadeiro lutador da classe trabalhadora, da democracia, e principalmente dos direitos humanos em Sergipe.

Chamado de ‘Padre dos Operários’, Dom Távora também criou o Movimento de Educação de Base em Sergipe e fundou a rádio cultura, como um meio para alfabetizar os pobres. Foi a partir do MEB que surgiram as articulações dos trabalhadores rurais para a criação dos primeiros sindicatos dos trabalhadores rurais e a Federação dos Trabalhadores Rurais do Estado de Sergipe. Durante sua vida pastoral, Dom Távora sempre estimulou a luta pela Reforma Agrária em todo o país para a prática da justiça social no campo.

Por Débora Melo

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