[VÍDEO] Promotora Rosane Gonçalves flagra “Valmir Monteiro” sem farda jogando baralho e com dinheiro no Presmil

O advogado de defesa de Valmir disse estranhar a visita do Ministério Público.

ARACAJU/SE – A promotora de controle externo do Ministério Público Estadual, Rosane Gonçalves, realizou nesta segunda-feira, 11, uma visita rotineira no Presídio Militar do Estado de Sergipe – PRESMIL. De acordo com o termo de audiência emitido pela Promotoria de Justiça Militar do Estado de Sergipe, Valmir Monteiro estava na biblioteca com portas fechadas e jogando cartas (baralho) com outro detento. Ele também estava sem a farda da unidade prisional e ainda portava R$ 100 em espécie.

Pela Justiça, esse fato constitui uma infração disciplinar. Foram feitos vídeos do momento da vistoria e que agora serão enviados para o desembargador do caso, Diógenes Barreto. A ocorrência foi comunicada ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado – GAECO.

Em relação ao gestor da unidade prisional, serão tomadas as medidas cabíveis para apuração por ato de improbidade administrativa.

O tenente-coronel Rogério que acompanhou a inspeção explicou que qualquer detento pode fazer uso da biblioteca, mas que não há autorização para jogo de cartas. O militar disse também que autorizou que um guarda abrisse a grade do pavilhão para Valmir fosse a biblioteca. Ainda segundo o militar, existe uma orientação verbal da direção geral do presídio para que o prefeito faça uso das bibliotecas ou quadras quando ele mesmo solicitar. O militar esclareceu que não sabia do jogo de cartas e da existência do dinheiro em espécie, mas reconheceu a ocorrência de falta disciplinar em razão do não uso do uniforme.

O advogado de defesa de Valmir disse estranhar a visita do Ministério Público e que ele tem direito de ficar preso em sala de estado maior. Além disso, o cliente dele não estaria proibido de sair da sela, se assim fosse ele estaria em uma solitária, o que não era o caso. Ele também disse que não há proibição do preso estar com dinheiro e que o simples fato dele ter comida, não implica considerar isso um privilégio.

Licença

Na sexta-feira, 1º, a Câmara Municipal de Lagarto concedeu o pedido de licença solicitado pelo prefeito Valmir Monteiro, que está preso no Presídio Militar do Estado de Sergipe – PRESMIL, em Aracaju, suspeito de envolvimento na prática de lavagem de dinheiro, mas teve o pedido de habeas corpus negado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ.

O presidente da Câmara, vereador Carlos Eduardo Pereira de Santana, protocolou na sexta-feira um documento na Casa, informando oficialmente o impedimento temporário de continuar à frente da administração municipal.

O Artigo 14 da Lei Orgânica do Município prevê como competência exclusiva da Câmara autorizar o prefeito e o vice-prefeito a se ausentarem do Município, quando a ausência exceder a 10 dias.

Operação Leak

Nesta sexta-feira, 22, foi deflagrada uma operação para investigar o desvio de verbas públicas no Matadouro Municipal de Lagarto – SE. A suspeita é que tenha ocorrido a pratica de lavagem de dinheiro pelo prefeito e outros investigados.

No final da manhã, o Ministério Público Estadual – MPE confirmou que o prefeito de Lagarto, Valmir Monteiro e o genro dele se apresentaram à polícia e prestaram esclarecimentos. Em seguida, foram encaminhados ao Instituto Médico Legal – IML, onde realizaram exames e foram levados para o PRESMIL, em Aracaju.

Promotores do MPE informaram que foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão nas cidades de Aracaju e Lagarto. Foram alvos de buscas a sede da Prefeitura de Lagarto, as secretarias de Finanças e Administração, o matadouro de Lagarto, a sede de uma empresa e as residências do prefeito, José Valmir Monteiro, do genro dele e de supostos laranjas, além do administrador do matadouro. Dois empresários que teriam envolvimento com o esquema estão foragidos.

O MPE confirmou que documentos que estariam em prédios públicos e na residência do prefeito teriam sido retirados antes que a operação fosse realizada. O mesmo teria acontecido em um dos endereços do genro do prefeito. Ainda de acordo com o MPE, os promotores possuem provas robustas de improbidades e outros desvios e as investigações vão continuar.

O secretário de comunicação de Lagarto, Anderson Christian, disse que o município está colaborando com as informações garantindo o acesso ao tudo que está sendo solicitado, mas vai aguardar o encerramento da operação para se pronunciar.

A ‘Operação Leak’ conta com promotores de Justiça do GAECO, delegados e policiais do Departamento de Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública da Polícia Civil – DEOTAP, Polícia Rodoviária Federal – PRF e Comando de Operações Especiais – COE.

Veja, abaixo, o termo de audiência:

Assista, abaixo, ao vídeo:

Por Eduardo Ferreira

 

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