[VÍDEO] Sargento do Corpo de Bombeiros de Sergipe cria nó batizado de “pernambucano”

O nó poderá ser usado em resgate de vítimas, animais e progressão em corda.

SERGIPE – O sargento do Corpo de Bombeiros do Estado de Sergipe Josenildo Moraes, um dos profissionais mais especializados no salvamento em altura da Corporação sergipana, criou um novo nó batizado como “pernambucano” para ser utilizado no resgate de vítimas, animais e progressão em corda. Na última semana, foram realizados testes na Universidade Federal de Sergipe (UFS) para avaliar o seu desempenho e em quais funcionalidades poderá ser aplicado.

Devido à dificuldade de conseguir um nó que se fixa na mesma bitola (diâmetro) de corda e seja de fácil ajuste, o sargento Moraes começou a estudar uma técnica para a criação do nó “pernambucano”. Existe outro nó que é usado para resgate e sistema de antirretorno, mas ele apresenta muita dificuldade para ajuste e movimentação pela corda porque durante a ação ele se contrai e dificulta o manuseio.

O sargento Moraes explicou que a ideia da criação surgiu durante um curso na capital sergipana. “Eu tive a ideia de fazer esse nó durante um curso de resgate técnico. Já quando eu estava fazendo um curso em Brasília, no ano de 2017, percebi que o nó utilizado para fazer a técnica de ascender pela corda com material reduzido oferecia muita dificuldade para ajuste. Na época do primeiro curso, o instrutor disse que essa técnica só era realizada com o outro nó, pois era o único conhecido para essa funcionalidade. Aí me veio a ideia de tentar desenvolver um nó para fazer a técnica. Por sorte, o nó criado é mais fácil de fazer e ajustar”.

A criação foi batizada pelo nome “pernambucano” porque o sargento Josenildo Moraes é natural de Recife, em Pernambuco. Já foram realizados testes que mostraram que o novo nó suportou duas pessoas na corda. Dentre as vantagens do nó pernambucano, está o fato de que ele fixa no mesmo diâmetro de corda e, em algumas situações, em diâmetro inferior também. Além disso, a confecção e o ajuste do nó ocorrem no mesmo instante, sendo assim, o nó fica pronto para uso geral muito rápido.

Vale considerar que o nó fixa no mesmo diâmetro de corda e é formado por quatro partes: fixação principal, fixação secundária, ponto auxiliar e arremate. “Consiste em um prussik, começando para o lado do travamento, outro prussik com a fase inicial, lançando a corda no sentido contrário ao primeiro, ficando com apenas uma volta e terminando com duas voltas. Na extremidade dessa corda, é confeccionado um botão, dito arremate. Vale ressaltar que, a partir do primeiro prussik, toda confecção do nó pernambucano segue-se no sentido que o nó não trava”, explica o militar.

Com a probabilidade de ruptura, foi preciso fazer engastamento com alguns materiais que danificam a corda. Esse procedimento é necessário para estudar a capacidade do nó. Foi percebido durante a simulação que o nó respondeu bem além dos 700 quilogramas, o que indica que poderá ser usado para fazer o resgate de um animal de grande porte, como cavalo e boi, e para resgate de humanos, já que sobra a carga de ruptura na carga de escorregamento. O nó já foi registrado e passará agora por certificação, para verificar seu poder de fixação, resistência e ponto de ruptura do nó.

O estudante de Engenharia Mecânica Breno Lima Nascimento, que foi o responsável pelo estudo técnico, explica que “o objetivo dos testes foi caracterizar o nó. Como o Moraes tinha falado, o nó fragiliza a corda, então, com o conhecimento do fato e conhecimento pelo fabricante de quanto a corda suporta, a gente está estudando o nó “pernambucano” para descobrir o quanto de carga que ele realmente suporta. Já que sabemos que os nós em geral fragilizam a corda, então o objetivo do teste foi saber o quanto de carga a corda com o nó “pernambucano” suporta. Fazendo essa caracterização podemos dar funcionalidade e aplicação a esse tipo de nó.”

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) abriu espaço nas estruturas dos laboratórios de pesquisa do campus para fazer o estudo da capacidade do nó “pernambucano”. A sala usada para a realização dos testes foi criada em 2009, com o incentivo do Governo para ampliação das universidades, e a maior parte dos equipamentos foi adquirida por meio do Reuni, projeto para incentivo de novos cursos de graduação em áreas tecnológicas na UFS.

O professor de Engenharia de Materiais da UFS, Sandro Griza, que é o responsável pela pesquisa, comenta sobre a importância da universidade abrir espaço para a pesquisa. “Aqui nossa prioridade é acadêmica, nesse laboratório a gente opera em cooperação com diversas instituições internas e externas. A universidade dá prioridade às aulas de graduação e pós-graduação, e busca sempre ocupar a estrutura com objetos de pesquisa, principalmente projeto de pesquisa e até de extensão. Então, nós temos essa facilidade hoje de fornecer a possibilidade para esses ensaios, sempre procurando na medida do possível fazer e cumprir o papel de pesquisadores.”

Assista, abaixo, ao vídeo:

FONTE, FOTO & VÍDEO: CBMSE

 

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